
Pré-sal: uma longa história
Data: 9 de setembro de 2008
Por Giuseppe Bacoccoli*
Há mais de 100 milhões de anos, poderosas forças subjacentes romperam o supercontinente Gondwana, propiciando a separação das placas sul-americana e africana em meio a intenso vulcanismo. No início, grandes lagos intracontinentais estabeleceram-se nas fendas e fissuras da crosta. Depois, o mar penetrou entre as placas, formando um golfo estreito e alongado, predecessor do oceano Atlântico.
Nos lagos, depositaram-se formidáveis geradores de petróleo, sedimentos finos riquíssimos em matéria orgânica, ao lado de rochas reservatório. Sobre estes, precipitou-se uma camada de sal, relacionada à fase de mar restrito, e, mais acima, os sedimentos oceânicos de mar aberto. Essa evolução da margem continental brasileira, melhor estudada desde o final dos anos 1960, com o início da exploração no mar, já era relativamente conhecida nas bacias terrestres costeiras.
O petróleo do Recôncavo Baiano, descoberto nos anos 1940, foi gerado e acumulou-se, em boa parte, nos sedimentos de um desses lagos intracontinentais, portanto, pré-sal. Em Sergipe e em Alagoas, muitos campos terrestres produzem da camada pré-sal, como ocorre no campo de Carmópolis, desde os anos 1960. Na porção emersa da bacia do Espírito Santo, existem várias jazidas em que o petróleo é extraído do pré-sal há décadas.






